O paradoxo do crescimento: O que fazer quando a sua empresa cresce mais depressa do que a sua liderança?

img_5-300x225 O planeamento estrategico é a desculpa mais cara que as empresas usam

Há um fenómeno muito curioso no mundo empresarial: quanto mais se fala em planeamento estratégico e estratégia de expansão, maior é a probabilidade de a empresa estar apenas a adiar decisões difíceis.

Não me entenda mal. Isto não é uma crítica ao ato de planear em si, mas sim ao uso do planeamento como uma espécie de anestesia corporativa.

Na prática, o planeamento estratégico transformou-se num produto emocional. Serve essencialmente para dar tranquilidade aos gestores, criando uma falsa sensação de controlo. Serve para justificar perante a equipa e o mercado que “estamos a trabalhar no assunto”.

Mas, demasiadas vezes, a ação morre exatamente aí. E é aqui que reside o grande erro da gestão de empresas.
A verdadeira estratégia obriga a dizer “não”
Definir o rumo de um negócio não é um mar de rosas.

Obriga a muitos “nãos”, que são difíceis de verbalizar no dia a dia:
não a certos clientes que já não fazem sentido para o negócio;

  • não a certos produtos que dão mais trabalho do que lucro;
    • não a certas oportunidades que apenas servem para desfocar a equipa;
    • não a certos colaboradores que não acompanham a cultura da empresa;
    • e, muitas vezes o mais complicado de localizar, não ao ego do próprio líder.

É precisamente por causa deste desconforto que muitas empresas preferem refugiar-se em reuniões intermináveis, workshops e apresentações cheias de planos bonitos. Tudo isto dá trabalho, sem dúvida, mas não exige rutura. Não exige abdicar do que está errado em prol do que está certo.

A estratégia não é um documento guardado numa gaveta. É um conflito constante entre o certo e o errado. Fazer escolhas cria atrito e isso é simples de entender, mas muito difícil de digerir.

O teste final: a sua estratégia exige renúncia?

A pergunta que deve fazer na próxima reunião de direção não é simplesmente se a sua empresa tem uma estratégia. O verdadeiro teste é este: a nossa estratégia obriga-nos a perder alguma coisa?

Se o vosso plano de ação não implica qualquer tipo de renúncia, então lamento dizer-lhe, mas não é uma estratégia. É apenas uma lista de desejos.

O mito do “quando as coisas acalmarem”
Outro vício altamente comum e destrutivo é acreditar que a empresa só vai executar o que planeou quando estiver num momento mais estável. De certeza que já ouviu, ou até disse, a típica frase: “agora não é a melhor altura, quando as coisas acalmarem, nós avançamos”.
A dura realidade é que as coisas nunca acalmam.
O mercado não vai ficar à sua espera. A concorrência não vai tirar férias para lhe dar avanço. A sua equipa não vai ficar magicamente mais eficiente por obra do acaso.

A melhor altura para tomar uma decisão difícil é, quase sempre, agora. A melhor altura para agir é antes de entrar na perigosa zona de conforto.
O crescimento não é um evento isolado no calendário, é um compromisso diário com a execução.

 

Alexandre Calapez

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